Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é autenticidade. Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama amor-próprio.
Chaplin.

Eu sou a Estrela da Sorte.

Oi, meu nome é Bianca, tenho 16 anos e não gosto do meu sobrenome.

Mas eu gosto de um menino. Eu não sei o que isso tem a ver, mas eu quis dizer.

Tá chovendo no meu quarto e eu tô pensando nele. Talvez você fique assustado e se perguntando o por que de eu, ao em vez ir arrumar um jeito de parar com as goteiras fico pensando em um menino.

Bom eu vou explicar.

Na verdade isso é só mais uma de tantas coisas que eu deixo de pensar pra pensar nele, parece idiota, e é. Não é bonitinho, é chato, claro que ele não sabe disso, ao contrário me acharia uma louca maníaca. Eu tô aqui pra falar sobre ele (sei que pelo início do texto, achou que era de mim, mas quero explicar e quando você ler o resto do texto vai entender porque eu não estou preocupada com as goteiras no meu quarto). Mas eu só tenho uma folha, e apesar de tudo o que eu disser, nunca vai ser o suficiente.

Ele tem 18 anos, é de Sagitário. Ele é sentimental e inteligente, romântico e carinhoso, é compreensível e bipolar, confuso e brincalhão, ciumento ao extremo e inseguro, é determinado e persistente, teimoso até demais, orgulhoso, mas se tiver que dar o braço a torcer ele chega de mansinho e pede beijo. Ele tem seus medos, é cuidadoso e pra conquistar ele é fácil. Basta mostrar afeto, ele é apaixonado por olhar, e quando brilha então nem se fale, ele leva a sério as palavras, mas ele é um pouco mentiroso também…

Ele come muito, ele parece ser um tanto carente apesar de não demonstrar, qualquer forma de carinho pra ele já é muito. Tem atitude, mas prefere jogos de conquista, adora palavras de duplos sentido, ama um violão.

Ele sabe escutar e fala MUITO, ele dá um sorrisinho de canto  e solta um suspiro curto, balança a cabeça bem de leve e te admira olhando nos olhos. Eu não sei se ele faz isso só comigo, mas eu gosto.

Quando ele me abraça ele realmente me sufoca porque os braços dele dobram no meu pescoço, ele é muito alto, por isso…

Quando quer me beijar, mas não sabe se pode, ele começa a beijar meu rosto (sei que é na esperança de eu virar u.u) E eu sempre viro…

Ele é quente, tem mãos macias e quando passam no meu rosto ou pelo meu corpo eu sindo a delicadeza.

Ele é protetor, não é louco, mas faz algumas loucuras de vez em quando, ama competir e não se pode duvidar, contrariar ele é um erro, mas aceita quando tá errado.

Ele tem olhos lindos, cabelos lindos, sorriso lindo (por mais que ele diga que não sabe sorrir), covinhas perfeitas, ele chora, ele fala de sentimentos, ele sabe escolher as palavras, ele faz cafuné e massagem nas costas, ele beija bem, ele é lindo, é perfeito pra mim mesmo sem ser e sabe de uma coisa? Não tô preocupada com as goteiras no meu quarto porque já parou de chover. :D

Parei para lembrar de tudo o que vivi, desde a infância e queria saber como voltar, não para mudar algo, mas para assistir como em um filme onde eu possa dar pause e ficar analisando cada palavra, cada gesto que hoje não está mais nítido nas lembranças, cada pessoa que chegou e depois se foi, cada brincadeira, risada e briga que logo viria com um pedido de desculpas, choros e mimos. Como é que deixamos de ser assim tão inocentes? Quando foi que deixamos de acreditar no papai noel ou coelhinho da páscoa? Como foi que deixamos de acreditar que pra ser amigos não precisava conhecer a anos, bastava um oi, uma brincadeira e já eram melhores amigos, quando foi que nos tornamos tão egoístas e tão desconfiados de tudo? Porque falar “não vou com a cara do fulano” é mais fácil do que chegar e se apresentar? Se todos fizeram isso um dia e deu certo? Nunca soube.

Bianca MF.

Antigamente eu comparava o amor aos fogos de artifício, luzinhas piscantes de Natal ou som de violino. Achava que era uma coisa arrebatadora, que tirava os pés e a cabeça do chão. Pensava que os amantes sentiam todos os dias borboletinhas indo e vindo no estômago. Então, pela primeira vez, eu amei. E descobri que o amor tem luz acesa, luz de velas, luz do poste da esquina. E que a trilha sonora muda todos os dias. O amor é rock, é samba, é disco, é lounge, é sertanejo, é blues e jazz. Ao mesmo tempo. O amor não te tira do chão, mas te coloca no rumo certo. Te dá segurança e aconchego. O amor traz uma família de borboletas para o estômago e lá elas vivem de mãos dadas. 

Clarissa Corrêa

Cansada dessas coisas miudinhas que me incomodam todos os dias e que mesmo sendo pequenas fazem um estrago enorme dentro mim. Cansada de ser alguém com sentimentos a flor da pele, que mesmo tentando lidar com isso, sente muito. Cansada de a cada decepção esperar de mim uma mudança e saber que muitas vezes é preciso passar várias vezes pela mesma situação para aprender a lidar com isso de verdade. Cansada de me machucar e ter que procurar um remédio para curar a dor, mesma sabendo que algumas coisas não tem remédio. Cansada de saber que certas palavras são feitas de mentiras e não poder dizer o que penso por não ter provas suficientes, mesmo que tendo todas as palavras na ponta da língua. Cansada de ignorar quem me ataca por trás e ter que escutar coisas de quem nunca se interessou em saber sobre as minhas razões. Cansada dessa gente que se faz de vítima, que põe a culpa nos outros e vive como um inocente escondendo seus próprios erros. Cansada dessa gente que reclama da vida por não ter nada do que reclamar e que olha para o próprio umbigo sem perceber o que acontece a sua volta. Cansada dessa gente que vai embora do nada e que depois volta para bagunçar tudo que arrumei no tempo em que fiquei sozinha. Cansada de ter que engolir sapos para manter a pose de pessoa equilibrada e de fingir que não ligo para que os outros falam de mim. Cansada de saber quem é o culpado e ter que escutar que o culpado sou eu mesma que permito que as coisas aconteçam na minha vida. Cansada de ver olhares tristes nas ruas e não ter coragem de perguntar se está tudo bem ou oferecer algo bom, mesmo que por mais simples que seja o meu gesto. Cansada desse orgulho que criei e do muro que construí para me proteger desse sentimento que congelei pelo fato de estar cansada de tudo isso. Por fim, quero descansar em mim para encontrar aquilo que me traga a paz absoluta, mas é quase impossível quando alguns fatos, mesmo que pequenos aparecem do nada e me obrigam a mudar a direção. É preciso desviar até mesmo das coisas que eu não conheço para me prevenir das coisas que não sei como irão ser, se irão passar em vão ou permanecer.   

Às vezes eu gosto de olhar pela janela para observar o que acontece lá fora, nas coisas que deixei livres e não voltaram. Reparo nos detalhes, busco a tranquilidade quando percebo o que não me faz falta. Em seguida, ao olhar para o céu eu peço mais espaço para cultivar sementes do bem, mesmo que isso sirva para quem um dia me fez mal. Peço mais calma para chegar e mais delicadeza ao andar. Eu não espero conseguir tudo que desejo, pois aprendi que o que mereço Deus um dia vai me dar.